segunda-feira, 30 de junho de 2008

O vira-lata observador.















(Autor Marcello L - O vira-lata observador - 2008 Trindade RJ)

O que será que este animal pensou neste momento?
Será que ele pensa de alguma forma (estruturada ou diferente do que reconhecemos)?
Ou é apenas um vira-lata atravessando o riacho, seguindo apenas os instintos? Podemos catalogar os instintos como uma forma de pensar? Não sei...
Quem pode definir qual é a cor deste nobre animal que de vira-lata possui apenas a carcaça e todos os orgãos surrados pelo vento, maresia e intempéries?
Pois bem, este vira-lata apenas compõe a imagem ao observar um grupo de pessoas atravessar o riacho, ou ele é a razão da própria foto tirada por mim em Trindade?
Poderia responder esta questão se estivesse ao menos lúcido (sem inspiração) na hora que movimentei meus dedos na parte superior da câmera, milésimos de segundo antes do click...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Novas maneiras de capturar energia.

(autor Marcello L - 2006 - The Castle and the clouds)

Fico imaginando as enormes mudanças que ocorreriam se pudéssemos capturar algumas energias que nos cercam e não são utilizadas para produzir luz. Não digo apenas da energia hidro, nem da eólica, nuclear ou outra, mas das energias que ainda descobriremos, num futuro que talvez possa vir a ser.
Imagino capturar energia do olhar, da expressão e de todos os movimentos sincronizados do ballet ou da performance do artista no palco de teatro. Quantas possibilidades teríamos se houvesse uma máquina que conseguisse produzir energia a partir das partículas de poeira, que atualmente servem apenas para cobrir móveis e livros em um tom acinzentado e pálido.
Penso em construir uma máquina dessas algum dia, porém enquanto isso, utilizo os sentidos, a capacidade criadora e o raciocínio lógico para perceber que tal energia existe, porém ainda não descobrimos um meio de armazená-la. Em alguma época perceberemos que o petróleo e as energias "sujas" causam calor, frio, os furacões e terremotos. O universo está todo interligado, como um processo fabril. Um espirro move milhões, talvez bilhões de elementos abaixo das escalas microscópicas e repercutem por anos, ou quem sabe pra sempre, no meio ambiente.
A história comprova que a má utilização dos recursos é punida de alguma forma. Infelizmente não voltamos nossas mentes para outras possibilidades. Possibilidades... palavra forte e coerente com nossa atual condição. Precisamos descobrir um meio de carregar as energias de um Ipod numa sala de cinema, sem a necessidade de uma tomada, apenas a partir das luzes emitidas pela projeção, dos sorrisos e dos beijos dos casais de namorados.
Esta é minha visão romantica do problema de energia que pode ter infinitas soluções, inclusive a extinção de diversas espécies e modificação dos contornos continentais...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Para refletir:

"O mapa não é o território."

(pensei nisso agora enquanto aguardo meu vôo de volta pra casa - SP --> RJ)

Quando pensamos em palavras, visualizamos imagens


(autor Marcello L - Janela do hotel em Salvador - 2005)

Pensar é um ato de estranha complexidade...
Diverge dos sentidos...
É orgânico e não linear...
Liga situações que a primeira vista não fazem sentido...
Pensar é tangibilizar o som inaudível em imagem não fotografada...
Transmutar o chumbo em ouro com apenas um reflexo...
Traduzir línguas em esperança...
Processos em novidade...
Desconstrução em razão para construir...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Poema: A janela da minha casa.

Existem coisas que sempre ficam reservadas...
Outras que passam em branco na frente de nossos olhos...
Algumas folhas que caem sob o cintilar dos ventos alísios soprando do sudeste para o noroeste...
Pessoas passeando de mãos dadas...
Sol aparecendo no horizonte por volta das 5 da manhã...
Felinos retornando para o conforto de um sofá após uma noite de aventuras e caça...
Três crianças indo pra escola...Barulho de trem com pássaros voando ao fundo...Mar prateado sob a linha do horizonte...Centenas de casas...
Existem coisas que ficam reservadas se olharmos de maneira sensorial a janela da nossa casa que sempre moldura uma obra magnífica...